Summoner é um CRPG de grupo lançado no PS2 em 2000 que recentemente voltou a ser vendido nas versões clássicas do PlayStation para PS5 e PS4. O estúdio Volition colocou no jogo muita narrativa, construção de mundo e um sistema de combate por correntes bem distinto. No entanto, a experiência sempre sofreu com falta de polimento e problemas técnicos que ainda marcam esta versão. Ainda assim, opções modernas como save states, rewind e ajustes de vídeo tornam o acesso ao jogo mais palatável para quem quer revisitar a obra. O relançamento reacendeu o interesse na comunidade e gerou reações nas redes sociais.

O jogador assume o papel do próprio Summoner, Joseph, um aldeão marcado desde a infância pelo poder que carrega. Durante uma invasão na sua vila, ele desperta uma entidade poderosa que foge ao seu controle e traz tragédias pessoais, definindo um tom sombrio para a história. Já adulto, Joseph precisa lidar novamente com forças sombrias e com a expansão do conflito entre impérios. A trama combina elementos épicos com momentos intimistas, e a marca do Summoner é peça central tanto para a narrativa quanto para o desenvolvimento do personagem. Essa origem impulsiona muitas das decisões e eventos ao longo da aventura.

Summoner Review (PS2) | Push Square
Imagem: Divulgação / Reprodução

Ao longo de mais de 30 horas, Joseph reúne um grupo de companheiros que ajudam a dar forma às situações e ampliar as possibilidades mecânicas do jogo. Flece é uma ladra ágil e sarcástica com ligações misteriosas à capital, enquanto Rosalind domina magias ligadas à linguagem da Criação e possui laços com o passado de Joseph. Jekhar traz o peso de um juramento e conflitos pessoais que o aproximam do protagonista, criando dinâmicas de grupo interessantes. Além da trama principal, há diversas missões secundárias que acrescentam conteúdo e recompensas, mesmo que muitas sigam estruturas básicas. Esses acréscimos ajudam a preencher a exploração e oferecem equipamentos úteis para o desenvolvimento da equipe.

O maior diferencial de Summoner é seu sistema de combate por correntes, que mistura ações em tempo real com entradas rítmicas para encadear golpes. Ao ordenar um ataque, o personagem luta automaticamente, e símbolos de corrente indicam janelas para inserir comandos e prolongar a sequência. O mecanismo lembra, em parte, sistemas vistos em jogos como KOTOR e Legend of Dragoon, mas traz sua própria implementação que exige timing e decisão. Quando bem aproveitado, o sistema é envolvente; porém, em combates com muitos inimigos ele pode se tornar confuso e menos efetivo. A dependência de repetir ataques para desbloquear opções mais avançadas torna alguns momentos repetitivos até que novas habilidades apareçam.

Summoner Review (PS2) | Push Square
Imagem: Divulgação / Reprodução

No início, o combate chama a atenção por sua singularidade e pela sensação de progressão ao dominar as correntes. Personagens aumentam proficiência em armas com uso contínuo e melhoram atributos conforme ganham XP, o que incentiva experimentação. É possível pausar para lançar magias, que então se desenrolam em tempo real e evoluem com repetição, dando profundidade ao sistema mágico. Ainda assim, a necessidade de supervisionar a IA dos aliados acaba por exigir microgestão frequente em confrontos mais duros. Puzzles e trechos que pedem divisão do grupo também expõem limitações de design que atrapalham o fluxo do jogo.

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O maior peso sobre a experiência prática vem da execução técnica: queda de frames, texturas embaçadas e trilha sonora pouco memorável comprometem a imersão. Mesmo para padrões de 2000, alguns aspectos visuais já soavam datados e, com o tempo, a sensação de falta de refinamento só aumenta. A câmera é outro ponto fraco recorrente, oferecendo ângulos e posicionamento que dificultam controle e visibilidade, especialmente em combate. Movimentar a câmera pode causar lentidão e revelar problemas no draw distance, com objetos surgindo abruptamente no cenário. Essas falhas tornam a exploração e o combate menos satisfatórios do que as ideias por trás do jogo sugerem.

Conclusão

Summoner é um título ambicioso, com mundo detalhado e um sistema de combate que tenta inovar, mas esbarra em limitações técnicas e de execução. O jogo agrada quem busca uma experiência retro rica em narrativa e personagens, porém frustra por conta do framerate, da câmera e de uma IA de companheiros pouco confiável. As melhorias do relançamento ajudam a tornar o acesso mais simples, mas não apagam a sensação de que o jogo precisava de mais polimento. Ainda assim, para entusiastas de RPGs antigos e colecionadores, há valor em revisitar a obra e apreciar suas ideias.

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