
Uma versão não oficial de SegaSonic The Hedgehog, clássico de arcade lançado pela Sega em 1993, passou a funcionar em computadores e outros dispositivos atuais. O projeto foi desenvolvido por cheviman e teve sua primeira versão publicada em 21 de outubro de 2026. Desde então, novas atualizações ampliaram a compatibilidade para Android, Nintendo Switch e alguns portáteis da Anbernic. O código e os arquivos necessários para criar as versões estão disponíveis na página de lançamentos do projeto no GitHub.
O port foi criado a partir da descompilação do programa original para a linguagem C. Com isso, o jogo pode ser executado diretamente em diferentes sistemas, sem depender da emulação do hardware original. A adaptação também adiciona suporte a telas no formato 16:9, controles modernos e modos voltados para quem deseja repetir fases em busca de melhores tempos. O projeto mantém como objetivo reproduzir o comportamento do arcade com o máximo de fidelidade possível.
Projeto de SegaSonic The Hedgehog no GitHub:
https://github.com/cheviman/segasonic-port/releases
Um Sonic de arcade com controle por trackball
SegaSonic The Hedgehog foi desenvolvido para a placa System 32 e tem uma proposta diferente da maioria dos jogos da série. Além de Sonic, a aventura permite controlar Mighty the Armadillo e Ray the Flying Squirrel. O arcade aceita partidas simultâneas com até três pessoas, algo incomum entre os títulos da franquia. A missão é atravessar os estágios desviando de armadilhas e obstáculos criados pelo Dr. Eggman.
O principal diferencial está no controle original por trackball. Em vez de usar um direcional convencional, o jogador movimentava a esfera para determinar a direção e a velocidade dos personagens. Essa mecânica muda bastante a sensação de movimento e dá ao jogo uma identidade própria. A perspectiva e o ritmo também se afastam do modelo tradicional de plataforma com rolagem lateral visto nos consoles.
Na nova versão, o código do arcade foi reconstruído em C a partir da análise do programa original. O método é diferente do empregado por emuladores, que recriam o comportamento do processador e de outros componentes do sistema antigo. Aqui, o programa convertido é adaptado para rodar diretamente no ambiente escolhido. Segundo o desenvolvedor, a versão de arcade foi comparada ao funcionamento no MAME para verificar imagem, áudio e estados da memória quadro a quadro.
Tela widescreen e suporte a controles modernos
O projeto oferece duas opções principais: SegaSonic Arcade, focada na reprodução do arcade, e SegaSonic, que inclui recursos adicionais para uso doméstico. A segunda versão preserva o conteúdo original e acrescenta funções pensadas para computadores e consoles atuais. Entre elas está o suporte a telas widescreen no formato 16:9. A área de visualização é ampliada lateralmente, em vez de simplesmente esticar a imagem original.
Menus como a tela de título e a seleção de personagens também foram adaptados para o formato panorâmico. Algumas cenas específicas, porém, continuam sendo exibidas na proporção tradicional de 4:3. O jogo aceita teclado, mouse e controles, permitindo substituir o trackball por direcionais ou alavancas analógicas. A configuração também pode distribuir diferentes teclas ou controles entre até três jogadores.
Há ainda modos voltados para quem quer repetir as fases com objetivos específicos. O TIME ATTACK registra o tempo de conclusão de cada estágio e de partidas completas. Já o STAGE SELECT permite escolher diretamente uma fase desbloqueada. O port também inclui ajustes de dificuldade, quantidade de energia, elementos da interface e teste de áudio.
A versão 1.2.2, publicada em 25 de outubro, corrigiu problemas relacionados ao desenho em telas widescreen. Um dos erros fazia com que torres e outros elementos fossem cortados nas bordas da tela. A correção foi aplicada às versões para PC, Android e Nintendo Switch. As atualizações mostram que o projeto continua recebendo ajustes mesmo após a chegada das primeiras compilações multiplataforma.
Compatibilidade com PC, Android e portáteis
Os arquivos executáveis para Windows, Linux e macOS estão entre as opções disponíveis no projeto. Windows e Linux têm suporte a computadores com arquitetura x64, enquanto o macOS conta com uma versão universal para processadores Intel e Apple Silicon. A atualização 1.2.0 acrescentou ferramentas para gerar arquivos destinados ao Android e ao Nintendo Switch. A compatibilidade varia conforme o sistema e não significa que todos os dispositivos tenham sido testados.
No Android, a ferramenta SegaSonic APK cria o pacote do jogo em um computador. O projeto tem como alvo aparelhos com Android 7 ou versões posteriores. Além dos comandos na tela, é possível usar controles conectados por Bluetooth ou USB. Ainda assim, o funcionamento pode mudar de acordo com o modelo do celular ou tablet.
Para o Nintendo Switch, a ferramenta SegaSonic NSP gera um arquivo no formato NSP. Esse processo pressupõe um aparelho com firmware personalizado e não permite instalar o jogo diretamente em um console sem modificações. A existência da ferramenta também não representa uma garantia de funcionamento em todas as unidades. O uso deve respeitar as regras aplicáveis ao console e aos arquivos utilizados.
Também há pacotes voltados para alguns portáteis da Anbernic equipados com o chip H700. O desenvolvedor confirmou testes no modelo RG40XX H, que apresentou imagem em 4:3 e desempenho de 60 quadros por segundo. RG35XX Plus, RG40XX V e RG CubeXX aparecem como aparelhos com possibilidade de compatibilidade, mas ainda não foram todos verificados. Portanto, os resultados podem variar entre modelos e versões de firmware.
O jogo original precisa ser obtido pelo usuário
O projeto não é uma adaptação oficial da Sega. Embora o código e as ferramentas sejam distribuídos, os arquivos de gráficos, sons e demais dados do jogo não acompanham o download. Para executar a versão, o usuário precisa fornecer uma cópia compatível dos dados do arcade. Essa separação evita que o projeto distribua diretamente o conteúdo protegido do jogo original.
A documentação indica o conjunto de ROMs da versão japonesa, revisão C, usado pelo MAME e identificado como sonic.zip. Na versão para PC, esse arquivo é lido na primeira inicialização para gerar o pacote de recursos segasonic.assets. Android e Nintendo Switch também dependem de ferramentas que transformam os dados fornecidos pelo usuário em arquivos executáveis. Os pacotes gerados não devem ser compartilhados com terceiros quando contiverem dados do jogo.
As informações sobre compatibilidade foram divulgadas pelo desenvolvedor e não representam uma validação independente em todas as plataformas. Há testes detalhados em Windows e Linux, além de verificações práticas no macOS e em alguns aparelhos Android. O suporte ao Nintendo Switch se refere principalmente à geração dos arquivos, enquanto a experiência pode depender da configuração do console. O mesmo vale para os portáteis da Anbernic que ainda não passaram por testes completos.
Com o novo port, SegaSonic The Hedgehog pode ser experimentado em equipamentos muito diferentes do arcade original. A conversão preserva a estrutura do jogo e, ao mesmo tempo, oferece widescreen, controles atuais, seleção de fases e desafios de tempo. A possibilidade de jogar com até três pessoas também ajuda a manter uma das características mais marcantes da versão de 1993. O resultado é uma alternativa moderna para conhecer um dos capítulos mais incomuns da história do Sonic.
