
O PlayStation 2, o console mais vendido da história, foi um divisor de águas para os jogos de tiro em primeira pessoa. Sua capacidade de rodar DVDs e seu vasto catálogo atraíram milhões de jogadores, criando o terreno perfeito para que o gênero FPS decolasse e se popularizasse como nunca antes.
Com melhorias de hardware em relação ao PS1, os desenvolvedores puderam criar mundos mais imersivos e experiências de tiro mais dinâmicas. Essa evolução técnica foi crucial para o crescimento do gênero, cuja influência é sentida até hoje na indústria. A seguir, exploramos alguns dos títulos mais marcantes que definiram a era de ouro dos FPS no PS2.

Call Of Duty: World At War – Final Fronts
A Versão do PS2 para um Jogo de Nova Geração

Quando o PS3 chegou em 2006, muitos estúdios migraram seu foco para a nova geração. A Infinity Ward, porém, fez questão de levar seu título de 2008, World at War, também para o PS2. Esta versão, conhecida como Final Fronts, era visivelmente inferior em gráficos e inteligência artificial, mas ainda assim oferecia um combate decente e um esforço admirável de trazer uma experiência moderna para hardware defasado.
Um ponto crucial é que esta versão para o PS2 não incluía o modo Zombies, que se tornaria uma febre nos títulos seguintes da franquia. Apesar das limitações, o jogo é um testemunho da estratégia da Activision de maximizar o alcance de suas franquias, garantindo que até os donos do PS2 pudessem vivenciar um pouco da ação de Call of Duty na época.
Return To Castle Wolfenstein
A Série Clássica em Tridimensional

BJ Blazkowicz é um dos protagonistas mais icônicos dos games, e seu retorno em Return to Castle Wolfenstein foi comemorado pelos fãs. Lançado em 2001, o título é um FPS de ação que mantém a essência da série, com um campanha single-player envolvente e um multiplayer que foi revolucionário para a época.
O multiplayer, em particular, era uma grande atração no PS2, um console onde jogos online ainda eram uma raridade. A trama, que explora o lore da série com elementos sobrenaturais e nazistas, ainda se sustenta hoje, e a jogabilidade provou-se duradoura. É um clássico que muitos consideram subestimado atualmente, mas que merece seu lugar entre os melhores FPS do console.
Medal Of Honor: Rising Sun
Co-op Chega ao Medal of Honor

Antes de Call of Duty dominar o cenário de guerra, a série Medal of Honor era a referência. Rising Sun, lançado em 2003, trouxe a Segunda Guerra Mundial para a campanha, com foco no teatro do Pacífico. Embora não tenha atingido o mesmo patamar dos jogos anteriores, oferecia uma campanha sólida de oito horas e um multiplayer dividido na tela que agradava os fãs.
Sua maior contribuição, no entanto, foi introduzir o multiplayer online para a franquia no PS2, algo inovador para a época. Essa funcionalidade abriu caminho para futuros títulos e ajudou a solidificar a popularidade dos jogos de tiro online no console.
Killzone
Um FPS de Primeira Parte

Desenvolvido pela Guerrilla Games, Killzone foi um marco como um FPS exclusivo da Sony. Lançado em 2004, o jogo nos transporta para um futuro distópico onde a humanidade luta contra os Helghast. Sua narrativa e design de arte, com uma estética industrial e sombria, eram impressionantes para a época.
O jogo tentou se destacar pela experiência cinematográfica, com som e arte de ponta. No entanto, não estava isento de problemas, como uma inteligência artificial inconsistente e alguns problemas de performance. Mesmo assim, foi um título importante que solidificou a identidade visual da série e demonstrou o potencial dos jogos de tiro em primeira pessoa na plataforma.
007: Agent Under Fire
Um James Bond Original em uma Aventura Única

O primeiro jogo de James Bond para o PS2, Agent Under Fire, não usou o rosto de nenhum ator específico, criando sua própria versão do espião. Apesar de ser um FPS, o jogo incorpora a essência de Bond através de uma ampla gama de gadgets, como jetpacks e ganchos de escalada, que são fundamentais para a progressão.
Além da campanha, o jogo brilhava no multiplayer, que oferecia opções de personalização raras para a época, permitindo ajustar velocidade de movimento e equipamentos. Essa flexibilidade tornou as partidas multiplayer muito mais estratégicas e divertidas, um diferencial importante para o catálogo de FPS do console.
Urban Chaos: Riot Response
Rocksteady Antes dos Jogos Arkham

Antes de se tornarem famosos com a série Arkham, a Rocksteady Studios desenvolveu Urban Chaos: Riot Response, um FPS de 2006. O jogo coloca o jogador no papel de um policial de uma unidade de elite, lidando com situações de caos e resgatando civis.
Um diferencial é o sistema de recompensas por replay, onde objetivos secundários garantem equipamentos melhores para missões futuras. O jogo abraça sua violência com set pieces criativos e uma trilha sonora marcante, incluindo a música “Modern Romance” do menu, que ficou na cabeça de muitos jogadores.
Cold Winter
Um Espionagem Brutal Exclusivo do PS2

Muitos FPS focam na ação, mas Cold Winter investiu pesadamente na narrativa. A história original foi escrita por Warren Ellis, um renomado autor de quadrinhos e roteirista de séries como Castlevania na Netflix. Embora a jogabilidade em si seja mais básica, o enredo pensado e a atmosfera de thriller de espionagem fizeram deste jogo uma pérola escondida.
Infelizmente, Cold Winter nunca alcançou o reconhecimento merecido, tornando-se um dos títulos mais subestimados da biblioteca de ação do PS2. Para jogadores que valorizam uma boa história junto com o tiro, é uma recomendação essencial.
The Operative: No One Lives Forever
Um Thriller de Espionagem dos Anos 60

Este jogo é um tributo aos filmes de espionagem dos anos 60, como os de James Bond, mas com uma pegada mais humorada e ação baseada em stealth. A protagonista, Cate Archer, é equipada com uma variedade de gadgets que tornam a abordagem mais tática.
A versão para PS2, apesar das limitações técnicas, trouxe missões exclusivas que exploram o passado da personagem. No entanto, a franquia é notória por estar presa em um limbo legal, impedindo qualquer relançamento ou continuação, o que torna a experiência ainda mais única e nostálgica para quem teve a chance de jogar.
XIII
Destacando-se com um Estilo Visual Único

XIII é um FPS baseado em uma série de quadrinhos, e sua maior força é o estilo visual cel-shaded, que o diferencia imediatamente de qualquer outro jogo da época. A estética de história em quadrinhos, com onomatopeias e painéis, é incorporada de forma brilhante à jogabilidade.
Apesar do seu design único, o jogo ficou marcado pelo lançamento problemático de seu remake moderno, que foi criticado por ser quebrado e sem inspiração. O original do PS2, porém, permanece como uma obra cult, um marco visual que prova que os FPS podem ser mais do que gráficos realistas.
Darkwatch: Curse Of The West
Um FPS de Fantasia Negra

Finalizando nossa lista, Darkwatch é a prova de que FPS podem ter cenários imaginativos. A combinação única de elementos de faroeste, terror e fantasia steampunk cria uma atmosfera singular. Você controla um fora-da-lei que se torna um vampiro, usando poderes sobrenaturais contra uma horda de inimigos.
O sistema de moralidade do jogo, que altera seus poderes e o mundo ao seu redor, adiciona uma camada de profundidade rara. A alternância entre o dia e a noite também afeta a jogabilidade, tornando cada missão uma experiência diferente. Darkwatch é um exemplo perfeito de como uma premissa criativa pode elevar um jogo de tiro além do comum.
